Ao longo do tempo, o arquivo foi visto como um depósito de papel velho e sem utilidade e, dentro dele, um profissional, o arquivista, visto como um simples funcionário que “mexe com papel”. Mas afinal qual a importância do arquivo público e do arquivista para a sociedade?
Os arquivos são repositórios de memória dos grupos sociais. Ali estão armazenados diversos relatos de cultura e da tradição de uma comunidade. Atualmente cresce interesse pela reconstrução do passado e nesse sentido os arquivos público vêm a somar na construção desse conhecimento.
Assim, na sociedade atual, os arquivos públicos têm função de recolher, custodiar, preservar e conservar fundos originados no governo ou ainda de particulares que os enviam, seja qual suporte for: papel, fotografia, áudio visual… . Sua função é lidar com estas informações de modo que possam ser transmitidas aos seus usuários e sua competência vai além de mero guardador de documentos, mas que é responsável pela sua projeção junto a comunidade. Trata-se de seus serviços editoriais, de difusão cultural e de assistência educativa. Dessa maneira, o trabalho realizado pelo arquivista deve ser todo voltado para a valorização dos documentos, pois compreendem os registros da sociedade que ele está inserido, suas recordações e suas memórias que irão ajudar na construção de sua identidade e história.
É dever do arquivista ser um agente cultural, proporcionando atividades que levem não só os pesquisadores ao arquivo, mas a população em geral, para que ali se apropriem desse espaço de construção e intercâmbio de conhecimento e de informações com atividades como exposições, palestras, lançamento de obras, concursos, debates, atividades educativas para estudantes, ciclos de cinema, entre outras tantas atividades que despertem o interesse naquele local de memória.
Destacam-se aqui as atividades desenvolvidas pelo Arquivo Público Histórico de Santa Maria, com ações voltadas para a educação patrimonial com jovens e crianças, com pesquisadores e usuários, divulgação das atividades e do acervo na mídia, apoio em eventos, a criação da Associação dos Amigos do Arquivo, auxiliando financeiramente e na criação de atividades outras desenvolvidas dentro do Arquivo.
É importante que a sociedade e o poder público conheçam as reais funções do arquivo público e seus arquivistas dentro da sociedade da informação, pois é desses dois elementos que se faz a articulação do passado com o presente, realizando uma projeção do futuro.
Notas
* Texto apresentado no I Encontro dos Pesquisadores do Arquivo Histórico Municipal de Santa Maria, em 30 de novembro de 2010, durante a Semana de Aniversário do AHMSM, organizada pela Associação dos Amigos do Arquivo (AMARQHIST).
** Graduada em História (UNIFRA)/Acadêmica Curso de Arquivologia UFSM.
BELLESSE e GAK. Julia. Luiz Cleber. Arquivítica: a presença cidadão. In: Revista Arquivistica, v. 3, n. 1, p.37-43. Brasília, 2004.
BELLOTTO, Heloísa Libelli. Arquivos permanentes: tratamento documental. 4. ed. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2009.

(Texto publicado no jornal A Razão do dia 24/01/2011: http://www.arazao.com.br/)

About these ads